Análise: Atividade fraca e coronavírus levam a novas revisões do PIB de 2020
14/fev/2020

Análise: Atividade fraca e coronavírus levam a novas revisões do PIB de 2020

Publicado originalmente: Valor

A semana repleta de indicadores econômicos confirmou o ritmo mais fraco da atividade no fim do ano passado, levando mais analistas a reduzir as projeções de crescimento para 2020. Com os números decepcionantes do varejo, dos serviços e do IBC-Br de dezembro de 2019, as estimativas continuaram a caminhar para a casa de 2%, influenciadas também pelo impacto da desaceleração da economia chinesa por causa do efeito da epidemia de coronavírus. Hoje, uma expansão do Produto Interno Bruto (PIB) de 2020 de 2,5% ou mais parece improvável.

Em dezembro, o IBC-Br caiu 0,27% em relação a novembro de 2019, feito o ajuste sazonal. No quarto trimestre, a alta do índice foi de 0,46% sobre o trimestre anterior. As vendas no varejo ampliado, que incluem veículos e material de construção, recuaram 0,8% no último mês de 2019, enquanto os servilos caíram 0,4%. Na semana passada a produçõa industrial havia mostrado recuo de 0,7% na comparação com novembro, na série livre de influências sazonais. Os resultados mostram que a economia virou o ano num ritmo modesto, mesmo com a liberação dos recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

Nesta sexta-feira, o Santander informou o corte na estimativa deste ano de 2,3% para 2%, baixando ainda as apostas para 2019 de 1,2% para 1,1% e a de 2021 de 3% para 2,5%. “Reconhecemos que o balanço de riscos para este e o próximo ano é adverso, o que implica um viés baixista às projeções atuais”, afirma o banco. Ontem, o Safra baixou a projeção de 2020 de 2,3% para 2,1%. Na quarta-feira, foi a vez do Citi Brasil, que reduziu a previsão de 2,2% para 2%, numa decisão que levou em conta basicamente os efeitos do coronavírus sobre a economia chinesa e sobre outros países. Na semana passada, o UBS diminuiu a sua estimativa de 2,5% para 2,1% e o J.P. Morgan, de 2% para 1,9%.

Com isso, o maior otimismo que vigorava no começo do ano em relação à recuperação da economia começou a dar lugar a uma visão mais cautelosa. Por enquanto, a expectativa não é de que o PIB vai repetir o desempenho fraco de 2017, 2018 e 2019, com avanço um pouco superior a 1%. No entanto, números de 2,5% a 3% parecem hoje irrealistas. Apostas de uma alta na casa de 2% passaram a predominar. A esperança é que os juros baixos, o aumento do crédito e a recuperação do mercado de trabalho deem mais vigor à atividade nos próximos meses.

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