Corrida às gôndolas eleva venda de hortifrútis
20/mar/2020

Corrida às gôndolas eleva venda de hortifrútis

Publicado originalmente: Valor Econômico

A pandemia de coronavírus, que vem prejudicando diversos setores da economia, até agora teve efeito contrário no ramo de hortifrútis. Com a corrida dos consumidores às gôndolas dos supermercados, onde produtos como alguns cortes de carnes começam a escassear momentaneamente por causa da mudança do fluxo de pessoas, a demanda está forte e muitos produtores estão colhendo bons resultados.

Nos três primeiros dias da semana, o Grupo Benassi, por exemplo, registrou incremento de 70% no volume que comercializa no Estado de São Paulo. “Os atacarejos quase que dobraram as compras, enquanto o varejo aumentou a demanda na casa de 30% a 50%”, afirmou Bruno Benassi, diretor comercial da empresa em São Paulo.

Batata, cebola, tomate, cenoura, limão, laranja e banana foram os produtos mais procurados, e a expectativa da Benassi é que a demanda de seus clientes se mantenha sustentada ao menos até hoje. “As pessoas estão indo ao mercado buscar produtos que podem ser estocados, mas levam para casa também os itens essenciais da cesta de hortifrútis, embora sejam perecíveis”, afirmou Bruno. Na próxima semana, ele espera uma estabilização do quadro, com elevação mais sutil nas vendas.

No campo, a oferta disponível tem dado conta de atender ao aumento dos pedidos, ainda segundo a Benassi. “O calor e o tempo mais seco em março ante fevereiro têm colaborado”, disse Bruno, que não identificou falta de nenhum item específico. Em termos de preço, contudo, o cenário é imprevisível. “Quando falamos de preço médio de compra não temos como prever que o comportamento dessa semana, que não teve muita alteração, se mantenha nos próximos dias”, disse ele.

No caso dos importados, que representam de 20% a 30% da operação da Benassi em São Paulo, já houve um aumento de preços em razão da alta do dólar ante o real. Nesta época do ano, a empresa traz de fora peras, kiwis, uvas e maçãs. Apesar da alta, a empresa não cogita suspender as compras, porque tem como política manter a oferta aos clientes, que podem escolher também pelo produto nacional.

Em virtude da pandemia, a Benassi dispensou da ida à empresa funcionários dos grupos de risco e flexibilizou jornadas de trabalho. “Não vamos deixar de abastecer nossos clientes”, afirmou Bruno sobre o momento de crise.

Na mineira Sekita Agronegócios, maior empresa de produção de cenoura e beterraba do país, a demanda por produtos aumentou 20% durante esta semana, e superou a capacidade de atendimento da empresa. Eduardo Sekita, diretor comercial, disse que, por semana, a movimentação da companhia é de 1 mil toneladas de cenoura e 400 toneladas de beterraba, além de alho, que neste momento está na entressafra. “Conseguimos absorver um aumento de 15% na demanda, mas não de 20%, e o que faltou o cliente buscou na concorrência”.

Carlos Fava, da Frutas Fava, de Jundiaí (SP), principal distribuidor de bananas do país, que movimenta de 800 toneladas a 900 toneladas por semana, disse que sentiu um incremento na demanda dos supermercadistas de 25% e que foi capaz de atendê-la por ter uma frota preparada e uma oferta mais elástica.

Fava conta com 50 caminhões de entrega e opera, via de regra, com cerca de 40, por conta de rodízios de placas. “Temos que ter uma sobra porque, numa situação dessa, a demanda do mercado é imediata, e se eu não tiver capacidade de atender, o cliente vai para o meu vizinho”, disse. Em relação à banana em si, precisou reforçar o abastecimento com compras do Rio Grande do Norte. “O custo aumentou, mas compensa porque temos produção própria e fornecedores parceiros no Vale do Ribeira, o que ajuda a diluir”, afirmou.

Em relação à situação das feiras livres em São Paulo, Gustavo Junqueira, secretário de Agricultura do Estado, afirmou ao Valor que uma nova dinâmica está sendo estudada para não haver paralisação. Para tanto, sugere-se menor frequência, separação da comercialização – um dia com legumes, outro com frutas – e distância maior entre o feirante e o consumidor, com entregas também por caixas, ao invés da opção pela exposição dos produtos a granel.

Na Ceagesp, maior central de abastecimento da América Latina, onde se movimenta em torno de 10 mil toneladas de hortifrútis por dia, as atividades estão mantidas até segunda ordem, assim como nos seus 12 entrepostos do interior. Em comunicado, a Ceagesp informou que, observando todas as orientações do Ministério da Saúde para a prevenção contra a covid-19, continuará “honrando seu compromisso com o abastecimento e com a segurança alimentar”.

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