Criticada por subsídios ao açúcar, Índia elevará produção de etanol
24/jan/2020

Criticada por subsídios ao açúcar, Índia elevará produção de etanol

Publicado originalmente: Valor

Produtores de açúcar da Índia vão direcionar um volume maior de cana para produzir etanol não por causa da denúncia do Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra os subsídios indianos ao açúcar, e sim porque há demanda e o negócio é bom.

É o que diz o diretor-geral da Associação Indiana de Usinas de Açúcar (Isma, na sigla em inglês), Abinash Verma, em entrevista ao Valor. Ele prevê que, em três anos, os indianos estarão com mais produção de etanol também a partir de outras fontes, que não somente o de cana.

A Índia tem plano de misturar 10% de etanol na gasolina. Hoje, o percentual do biocombustível na mistura é de 5%. Segundo Verma, a produção de etanol é de 3,5 bilhões de litros, enquanto a demanda supera os 5 bilhões de litros por ano.

“O que falta é capacidade de produção, porque demanda tem”, reiterou ele. O executivo está engajado em conversas com o governo e o setor privado brasileiro para cooperação na produção de bicombustíveis. Um memorando de entendimento será assinado durante a visita do presidente Jair Bolsonaro neste fim de semana.

Eduardo Leão de Sousa, diretor-executivo da União da Indústria de cana-de-açúcar (Unica), observou em debate, em Nova Déli, que a Índia tem a ganhar tanto em relação ao meio ambiente como por razões econômicas com a produção de etanol. O dirigente mencionou que, em 2019, os produtores no Brasil embolsaram 19% mais com etanol do que com o açúcar exportado.

De seu lado, Verma insiste que não gosta de vincular a produção de etanol com a disputa na OMC, na qual o Brasil acusa a Índia de causar prejuízos de US$ 3 bilhões aos exportadores, por causa dos subsídios.

Mas ele diz que, em todo caso, a produção de açúcar está caindo não apenas na Índia. Isso deve ocorrer, segundo Verma, por causa de ocorrência de seca em locais de maior produção. Mas ele nota que a oferta também está em baixa na União Europeia, Austrália e Tailândia, enquanto o Brasil utilizou mais a cana para fabricar etanol.

“O que é verdade é que nós não conseguimos exportar açúcar sem ajuda do governo”, admitiu. Para exportadores de outros países, os indianos dão subsídios ilegais à exportação. O confronto sobre o açúcar na OMC continua sofrendo críticas na Índia e um grupo de pequenos produtores promete fazer protesto contra a presença de Bolsonaro no país.

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