Exportações agrícolas recuaram em janeiro
13/fev/2020

Exportações agrícolas recuaram em janeiro

Publicado originalmente: Valor

Embora os embarques de carnes tenham permanecido aquecidos, as exportações brasileiras do agronegócio não resistiram a quedas observadas nas vendas de soja e derivados (farelo e óleo), produtos florestais, milho e café e encerraram janeiro em queda.

Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pelo Ministério da Agricultura, as exportações totais do setor somaram US$ 5,829 bilhões, 9,4% menos que no mesmo mês do ano passado. As importações caíram 1,6% na comparação, para US$ 1,222 bilhão, e com isso o superávit foi 11,3% menor (US$ 4,607 bilhões).

Segundo o ministério, o índice de preço das exportações caiu 7,4% na comparação anual, o que justifica a retração observada na receita dos embarques. Mas o índice que mede o volume das vendas do agronegócio também caiu, 2,2%. E, de acordo com os números apresentados pela Pasta, o desempenho só não foi pior graças à expressiva – e anormal – demanda da China por carnes.

No total, as exportações brasileiras de carnes chegaram a US$ 1,350 bilhão em janeiro, um aumento de 30,9% que marcou um novo recorde para o mês. Nesse caso, houve incremento de preços médios (12,9%) e volumes (15,9%). O recorde foi puxado pela carne bovina, cujos embarques alcançaram 135,3 mil toneladas, ou US$ 631,5 milhões, melhores marcas históricas para meses de janeiro.

Em fevereiro, contudo, os frigoríficos estão enfrentando problemas para vender à China por causa do surto de coronavírus no país, e isso deverá se refletir no resultado mensal das exportações do segmento. Segundo fontes da indústria, o fluxo não está parado, mas com as restrições de tráfego no país e o acúmulo de produtos nos portos, sobretudo em Xangai, cargas têm sido redirecionadas para países próximos.

Já as exportações de outros dois segmentos fundamentais para os resultados do comércio agrícola brasileiro decepcionaram. No segmento de produtos florestais houve queda de 33,8%, para US$ 947,4 milhões, diretamente influenciada pela forte desvalorização da celulose, ao passo que na área de soja e derivados, carro-chefe do agronegócio nacional, o recuou chegou a 31%, para US$ 878,5 milhões.

“A quantidade exportada de soja em grão diminuiu para 1,5 milhão de toneladas (26,8%) e os preços de exportação caíram 8,7%, o que resultou em redução de 33,2% no valor exportado, que ficou em US$ 513,25 milhões”, informou o ministério. Essa redução é motivada sobretudo pela menor demanda da China. Ao mesmo tempo que importa mais carnes, o país asiático compra menos grãos para a alimentar o seu plantel de porcos, que diminuiu significativamente com o avanço da epidemia de peste suína africana.

Entre os produtos do agronegócio mais exportados pelo país, também houve baixas das receitas das vendas de cereais e farinhas (39,5%, para US$ 463,7 milhões) e de café (10,1%, para US$ 402,4 milhões). Aumentaram, em contrapartida, as divisas geradas pelos embarques de açúcar e etanol (44,1%, para US$ 514,5 milhões) e de fibras e produtos têxteis (126,1%, para US$ 513,5 milhões).

Com a maior demanda por carnes, a China voltou a aumentar sua participação entre os principais destinos das exportações brasileiras do agronegócios. As vendas ao país asiático somaram US$ 1,510 bilhão em janeiro, ou 25,9% do total; no mesmo mês de 2019, a fatia foi de 23,1%, ou US$ 1,485 bilhão.

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