Falta de certificação de estoques da bolsa de Nova York faz preço do café disparar no mercado futuro
19/mar/2020

Falta de certificação de estoques da bolsa de Nova York faz preço do café disparar no mercado futuro

Publicado originalmente: Valor Econômico

Depois de cinco quedas consecutivas, os contratos futuros de café arábica dispararam nesta quarta-feira. Os preços iniciaram o dia com alta de 8%, reagindo ao anúncio de que, em razão do coronavírus, a bolsa de Nova York pode não ter condições de certificar os estoques físicos a tempo do vencimento do contrato de maio (autalmente, o mais negociado).

Ao fim do pregão, os contratos futuros de café arábica para maio subiram expressivos 5,56% (570 pontos) na bolsa de Nova York, fechando o dia a US$ 1,083 por libra-peso.

A certificação dos estoques é o que garante que os lotes têm a qualidade exigida e que os volumes estão disponíveis para serem entregues conforme negociados.

Para evitar que isso aconteça, traders compraram contratos de vencimento mais curto para receber o produto e impedir ou reduzir prejuízos diante da incerteza em relação à oferta, explicou o analista.

Segundo Eduardo Carvalhaes, do Escritório Carvalhaes, os estoques na bolsa já estavam baixos e, com os portos fechados na Europa, não se sabe que café está disponível nos mercados consumidores.

Além disso, o dia começou com rumores de paralisação da atividades nos portos brasileiros, especialmente em Santos. “Não acredito nisso, porque temos muita mão-de-obra nos terminais públicos do Brasil, mas sempre assusta o exterior, qualquer rumos nesse sentido”, disse.

Durante a tarde, após reunião com sindicatos de funcionários, o Sindicato dos Operadores Portuários do Estado de São Paulo (Sopesp) reiterou que as operações no Porto de Santos estão mantidas. O presidente da entidade, Regis Prunzel, afirmou que serão reforçadas as medidas de segurança aos trabalhadores para evitar contágio da covid-19.

Guilherme Morya, analista do Rabobank, argumentou ao Valor que, mesmo diante do surto de coronavírus, a demanda segue em alta nos Estados Unidos, Europa e mesmo no Brasil. “O consumo fora de casa caiu, é verdade, mas cultura de tomar café dentro das casas nessas regiões faz os preços caminharem para um lugar de relativo otimismo”, disse.

Na visão de Morya, os preços devem oscilar na faixa de US$ 1,05 a libra-peso a US$ US$ 1,10 a libra-peso nos próximos dias, sendo pouco provável que recuem abaixo do suporte de US$ 1.

Na última semanas, fontes do mercado vêm relatando dificuldades no embarque de grãos pela falta de contêineres, o que também seria um fator de sustentação para a commodity.

Procurado pelo Valor, o presidente da cooperativa Minasul, José Marcos Magalhães, ponderou que a situação é de tranquilidade e os embarques de café estão ocorrendo normalmente.

A cooperativa, com sede em Varginha (MG), é a segunda maior exportadora de café no país, atrás apenas da Cooxupé, e projeta bater recorde de embarques e elevar o recebimento do grão devido ao maior número de cooperados.

TODOS
NOTÍCIAS
DIÁRIO
PATROCINADORES:
APOIADORES: