Foco de peste suína clássica é confirmado em Alagoas
10/out/2019

Publicado Originalmente: Valor Econômico

Foco de peste suína clássica é confirmado em Alagoas

Caso foi identificado em propriedade de criação extensiva fora da zona livre da doença

A Agência de Defesa e Inspeção Agropecuária de Alagoas (Adeal) e o Ministério da Agricultura confirmaram a ocorrência de um foco de peste suína clássica (PSC) no município de Traipu, na região do agreste do Estado, próximo da divisa com Sergipe.

A agência informou “que equipes compostas por fiscais agropecuários foram acionadas imediatamente, e já estão atuando na região. Medidas como a interdição da propriedade onde foi localizado o foco e a proibição do trânsito de suínos, entre outras, estão sendo tomadas em busca da contenção e da eliminação da doença”.

Segundo a Adeal, a vigilância epidemiológica está sendo intensificada em Alagoas. “Esclarecemos a população que a Peste Suína Clássica é uma doença viral que acomete somente porcos e javalis. Não é uma zoonose, e, portanto, não é transmissível a humanos”.

A agência lembrou que os principais sinais clínicos da PSC são febre, alta mortalidade em animais jovens, manchas hemorrágicas (avermelhadas) na pele do animal, incoordenação motora, conjuntivite e diarreia.

“O controle e a erradicação da PSC é de grande relevância para a economia local e nacional, pois sua ocorrência gera prejuízos e restrições ao comércio desses animais e seus produtos”, informou.

Apesar de também ser considerada grave, a peste suína clássica é menos severa que a peste suína africana (PSA), que está provocando forte redução do plantel de porcos da China e tem se espalhado também por outros países da Ásia e do Leste Europeu.

Conforme informações da Embrapa Suínos e Aves, as doenças são causadas por vírus diferentes — a PSC é causada por um vírus da família Flaviviridae, gênero Pestivirus, de genoma RNA, enquanto a PSA é provocada por um vírus DNA, da família Asfarviridae, gênero Asfivirus.

“As duas doenças são semelhantes clinicamente, sendo necessário realizar diagnóstico laboratorial diferencial. O Brasil tem um programa nacional para controle da PSC e atualmente grande parte do território é reconhecido internacionalmente como livre de PSC. A PSA já ocorreu no Brasil no final da década de 1970, foi erradicada e atualmente a doença é considerada exótica no país. Tanto o vírus da PSC como o da PSA não causam doença em humanos”, informa a Embrapa.

De acordo com o Ministério da Agricultura o foco alagoano está situado em uma propriedade de criação extensiva, sem vínculo com sistemas tecnificados ou de reprodução de suínos.

Porém, afirma comunicado da Pasta, o foco é “muito próximo da zona livre de PSC do Brasil, que detém aproximadamente 90% da produção suinícola brasileira e 100% das exportações de animais e produtos de suínos do país. Portanto, apesar dessa ocorrência não alterar o reconhecimento internacional deste status sanitário junto à OIE [Organização Mundial de Saúde Animal], é exigida adoção de estado de alerta e reforço nas medidas de prevenção de todo o Serviço Veterinário Oficial, com ações efetivas para evitar a disseminação da doença e uma eventual introdução da PSC na zona livre, a fim de não comprometer os esforço feitos pelo serviço veterinário brasileiro e pelo setor privado para a erradicação desta enfermidade, bem como proteger a cadeia produtiva de suínos quanto a eventuais restrições comerciais por parte de países importadores de animais e seus produtos”.

“Neste momento, estão sendo adotados os procedimentos para eliminação do foco, com sacrifício e destruição dos suínos, e investigação epidemiológica em propriedades situadas no raio de 10 km em torno do foco e naquelas que possuírem algum vínculo epidemiológico”, informou a Pasta.

TODOS
NOTÍCIAS
DIÁRIO
PATROCINADORES: