Dinheiro Rural
Na rota da produtividade
21/jul/2017

A saga de um repórter que acompanhou parte do Rally da Safra, o maior projeto brasileiro de monitoramento de lavouras, na região mais produtiva de Mato Grosso

 

 

Por Fábio Moitinho, da região meio-norte de Mato Grosso

 

Não foi uma tarefa fácil sair da fria capital paulista, na manhã do dia 8 de maio, e desembarcar na tórrida cidade de Sinop, município do norte do Estado de Mato Grosso. O trajeto de dois mil quilômetros em apenas um vôo, caso existisse uma linha área direta, duraria pouco mais de três horas. No entanto, o percurso real foi de 2,6 mil quilômetros em três vôos que duraram seis horas. A peregrinação aérea passou por Curitiba e Londrina (PR), mais a capital Cuiabá, antes do destino final. Naquela tarde, os termômetros do aeroporto de Sinop marcavam 36 graus. Mas chegar à cidade nem se comparava com a que estava por vir: uma expedição de cinco dias pelo mar de lavouras de milho em que o Mato Grosso vem se transformando depois da colheita da soja na primeira safra. É que o Estado se tornou o maior produtor do cereal no País, cultivando quase todo o milho na segunda safra. Na primeira, neste ciclo, foram somente 250 mil hectares. Mas na segunda safra, entre janeiro e meados de março, os agricultores plantaram 7,4 milhões de hectares. E vão colher, até julho, 24,7 milhões de toneladas, volume 64% superior ao ciclo 2015/2016, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Saber o que pensam o produtores, como eles vêm trabalhando a terra e os desafios da aprendizagem na gestão do negócio do milho é fundamental para o desenvolvimento das safras que virão pela frente. Não por acaso, há uma década o Mato Grosso produzia 3,3 milhões de toneladas na segunda safra. “Nesta safra, tanto o clima como o profissionalismo do produtor ajudaram muito a chegar nesse resultado”, diz a agrônoma Heloísa Melo, da consultoria catarinense Agroconsult. “A comercialização está sendo um problema porque o produtor deixou de fazer as vendas antecipadas em alguns casos.”

Melo fala com propriedade. Ela é a responsável pela coordenação de um grupo de 16 pessoas para monitorar o maior polo produtor de Mato Grosso, a região do Médio-Norte para a expedição Rally da Safra. O rally é o maior projeto do País de monitoramento de lavouras, promovido pela Agroconsult. A partir de Sinop, engenheiros agrônomos, técnicos, estudantes de agronomia, mais a reportagem da revista DINHEIRO RURAL, embarcaram em uma etapa do projeto, a bordo de quatro picapes com tração nas quatro rodas. Estavam por vir estradas com trechos muitas vezes esburacados, e a travessia por pontes nada confiáveis. O caminho percorrido foi de cerca de 6,3 mil quilômetros pela BR 163, passando pelos municípios de Cláudia, Vera, Nova Ubiratã, Sorriso, Lucas do Rio Verde e Nova Mutum, até a chegada a Cuiabá. Neste ano, o Rally da Safra, que acontece desde 2003, percorreu 95 mil quilômetros por lavouras de milho de 11 Estados, com o final da expedição no início deste mês. “Nessa região de Mato Grosso, os dados coletados no percurso ainda precisam ser analisados com profundidade, mas já foi possível uma constatação: as lavouras expressaram uma produtividade muito próxima ao seu potencial”, diz Melo. Coletando dados, como o tamanho das espigas, o espaço entre as plantas e a quantidade de pés de milho por metro, ali mesmo já era possível ver que o Médio-Norte de fato deixava para trás as marcas de uma temporada muito ruim. A safra passada, a 2015/2016, foi uma das piores da história do milho safrinha, por causa da seca que assolou Mato Grosso. A queda chegou a 25,8% e os produtores colheram somente 15 milhões de toneladas. Para a Conab, a região do Médio-Norte deve apresentar uma produtividade média de 5,7 mil quilos por hectare, ante 3,9 mil na safra passada.

A íntegra da reportagem pode ser conferida no site Dinheiro Rural.

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