Brasil deverá puxar vendas de defensivos da Sumitomo
02/abr/2020

Brasil deverá puxar vendas de defensivos da Sumitomo

Publicado originalmente: Valor Econômico

A japonesa Sumitomo Chemical, que desenvolve agrotóxicos com patente, se prepara para entrar com os dois pés no Brasil depois de ter anunciado a aquisição, no ano passado, das operações de defensivos da australiana Nufarm na América Latina, por US$ 1,27 bilhão.

A compra, já aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), deflagra o início da estratégia de verticalização da companhia no país. Por quase dez anos a Sumitomo recorreu a parcerias, inclusive com a própria Nufarm, para colocar no mercado sua marca própria e repassar a empresas como a alemã Bayer ou a brasileira Ihara, da qual é acionista, produtos e ingredientes ativos para a fabricação de formulados no Brasil, onde já conta com um centro de pesquisa, o de Mogi Mirim (SP).

Juan Agustin Ferreira Espinosa, presidente da Sumitomo Chemical na América Latina, disse que o Brasil agora é o foco do avanço da múlti japonesa na área agrícola – que em 2018 representou 15% de uma receita total de US$ 21 bilhões, ou US$ 3,2 bilhões. “A expectativa é que em cinco anos esse valor cresça 50%, graças a novas aquisições, lançamentos de produtos e contato mais próximo com o produtor”, afirmou ele.

O percentual de crescimento projetado é superior à média prevista pela empresa como um todo. A Sumitomo Chemical tem outras quatro áreas de negócios, relacionadas à produção de químicos para as indústrias de petróleo, energia, computação e farmacêuticas.

Atualmente as vendas de defensivos da companhia estão centradas no Japão (30%), seguido por América do Norte (25%), América do Sul (15%) e Europa (10% a 15%). Com a aquisição dos negócios da Nufarm, em outubro, a previsão é que a participação da América do Sul triplicará nos próximos anos.

Segundo Espinosa, a meta se mantém mesmo diante do surto do novo coronavírus, já que a empresa acredita que o impacto da pandemia será menor nas cadeias de alimentos. E isso apesar de os insumos serem cotados em dólar, que está em alta em relação ao real, até porque os exportadores brasileiros de produtos agrícolas tambem têm sido beneficiados pelo câmbio.

“Esse mercado se sofisticou tanto que me faz crer na manutenção do uso de tecnologias de ponta mesmo com aumento de custo, porque o produtor mira no seu aumento de produtividade”, disse Espinosa, afirmando que a Sumitomo planeja lançar quatro novos produtos, entre defensivos químicos e biológicos, nos próximos cinco anos.

Antes totalmente dependente de seus parceiros para distribuir seus produtos no Brasil, a Sumitomo comemora a presença física que terá na unidade de mistura da Nufarm em Maracanaú, no Ceará, a 24 quilômetros de Fortaleza, e em oito centros de distribuição em fronteiras agrícolas do país. Com isso, pretende desenvolver uma base de relacionamentos com cooperativas e revendas do setor e iniciar sua produção local de herbicidas e inseticidas. Ainda assim, a empresa deve continuar a importar produtos, sobretudo do Japão e da China.

No Brasil, as culturas preferenciais para a Sumitomo são soja, cana, milho, frutas e hortaliças, além de plantas forrageiras. Da aquisição da Nufarm, também vieram ativos na Argentina, principalmente áreas de campos experimentais voltadas a grãos. No Chile, as lavouras de interesse são de uva, castanhas, cereja e abacate; na Colômbia, de arroz, cana, abacate e café. Com a compra da operação de defensivos da Nufarm, o número de funcionários da Sumitomo na área agrícola na América Latina saltará de 130 para 800.

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