Conclusão da BR-163, um sonho realizado
19/mar/2020

Conclusão da BR-163, um sonho realizado

Publicado originalmente: Valor Econômico

A conclusão da pavimentação da BR-163, no ano passado, tem sido efusivamente comemorada por agricultores e empresários da região médio norte de Mato Grosso. O “sonho realizado”, com o asfaltamento dos 51 quilômetros que faltavam na chegada a Miritituba, no Pará, gerou reflexos imediatos no bolso dos agricultores.

Os preços dos fretes entre Sinop e Miritituba caíram cerca de 26% após a pavimentação, de R$ 230 para R$ 170 por tonelada. “Tivemos uma queda de R$ 60 por tonelada. Multiplicada por 10 milhões de toneladas, que é o volume escoado por lá, são R$ 600 milhões”, diz Edeon Vaz, coordenador do Movimento Pró-Logística. A estimativa para este ano é que o volume de cargas transportadas pela BR-163 de Mato Grosso ao Pará aumente 30%, para 13 milhões de toneladas.

“Todo ano tinha atoleiro e estresse”, afirma o agricultor Ilson Redivo, presidente do Sindicato Rural de Sinop. “O asfaltamento é responsável por ainda termos margem para a soja no Estado. Se não fosse isso, já estaríamos com os caminhoneiros, abraçados, chorando junto”, relata Rodrigo Pozzobon, produtor de Sorriso.

A saída facilitada anima também a Caramuru, processadora brasileira de grãos que investiu R$ 50 milhões nos portos de Itaituba (PA), às margens do Rio Tapajós, e Santana (AP), de onde acessa o Atlântico via Rio Amazonas. A melhoria na logística e a quebra na dependência do terminal em Santos (SP) para enviar os produtos ao exterior vão diminuir custos e tempo de viagem para Europa e até para a China.

“Falavam que Sorriso era o fim do mundo. Já não é mais. A BR-163, que era um inferno, virou um sonho para os motoristas”, afirma Estenio Carvalho, gerente comercial da empresa. Ele calcula três dias a menos de navio e mil quilômetros a menos de estradas para mandar os produtos da soja até Roterdã, na Holanda, ao utilizar o porto no Amapá ao invés de São Paulo. Para a China, passando pelo Canal do Panamá, a viagem dura 32 dias, um a menos que a rota via Santos.

Agora, a cobrança é por mais melhorias na rodovia, como duplicação e construção de acostamentos. São obras necessárias levando-se em conta, sobretudo, que a perspectiva é de grande crescimento da produção, como observa Rosana Martinelli, prefeita de Sinop. Edeon Vaz, do Movimento Pró-Logística, acredita que o governo federal vai recorrer ao modelo de concessão para a manutenção da rodovia no trecho até Miritituba.

As esperanças também se renovam em torno das ferrovias. Lucas deverá abrigar o terminal da Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (FICO). Sinop sonha com a construção da Ferrogrão, para ligar a cidade à Miritituba e desafogar a BR-163, e com a construção de um porto seco no município. Previsões otimistas sugerem de seis a dez anos para as obras serem feitas, mas animam investidores. “Temos um crescimento acertado pelos próximos 20 anos. Isso é fato, uma garantia para os investidores na região”, afirma Daniel Brolese, secretário de Desenvolvimento Econômico de Sinop.

“Tudo está para acontecer, e é ótimo que aconteça. Por mais de um século fez-se a opção errada e pagamos caro por isso. Temos esperança de que a logística será resolvida – a BR-163 já resolveu parte dela”, diz Normando Corral, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato).

Produtores preveem que também ganhará força a importação de insumos pelo Arco Norte num futuro próximo, o que tende a reduzir custos. “Vai inverter, vai virar de ponta cabeça o Brasil”. afirma Redivo, do sindicato rural de Sinop.

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